quarta-feira, 27 de agosto de 2008

shhhhhhhhhhhhhh!

r: 'sabe o que eu gosto em voce?'
f: '?'
r: 'voce é fraca de personalidade...'
f: '!?'
r: '... é amável e gentil, sabe conversar e tem umas nóias legais...'
f: 'do tipo diplomática?'
r: 'é, tipo um smurf azul...!'
f: 'redundante mas verdade...'



***


'___________, voce fala demais' ele falou com o mesmo jeito de sempre, ela já não sabia se era uma crítica, uma reclamação, uma confissão, um desabafo, um elogio ou tudo isso junto.

'...hm' ela refletiu, mas nao em silencio. 'é, eu sei, é um mau hábito. eu tenho de parar com isso, sabe?'


'é, por isso que tô falando, voce não pára nunca!' ele continuou, parecia querer dar uma bronca, mas o jeito dele nunca faria qualquer palavra parecer uma crítica.


'é que eu odeio o silêncio!' ela se justificou.


'é, mas não pode ficar falando o tempo todo!' ele parecia realmente incomodado com isso.


'hm, mas é que eu REALMENTE odeio o silencio' ela tentava ainda mais se justificar para si mesma, ela só queria se comunicar com o mundo inteiro de uma unica vez. mas falr constantemente não era se comunicar necessariamente...


'eu não gosto mas já acostumei.' ele respondeu, agora já estavam no térreo.


(silencio inedito)


ela parecia pensar como sempre fazia, vislumbrando o horizonte distante e inexistente do predio curvo que era o Instituto Central de Ciências.


'voce já se acostumou com o silencio ou com eu não parar de falar?'


'ah, com o silencio.' ele respondeu também olhando pro horizonte que não existia, eternamente coçando sua barba.


'hm...' e mais silencio, ela estava pensando. 'então eu não falo nunca mais, pronto, falei.' e olhou pra ele, tentando trazê-lo de volta pra terra.


'não! também não precisa não falar nunca mais!' ele pareceu um pouco assustado com essa possibilidade impossível. ela parar de falar era como cair chuva em setembro.


'ah, tá bom então... eu falo menos.' e ela se calou.


(mais silencio)


'mas voce viu como eu estava quietinha hoje?' e ela olhou para ele com um de seus sorrisos infantis.


é, era como esperar chuva em setembro!
diálogos (ou seiram monólogos?) infinitos entre o mineiro do rio e a carioca do mundo.

2 comentários:

  1. "(...)ela só queria se comunicar com o mundo inteiro de uma unica vez.(...)"

    muito phoda!
    =D

    P.S.:Os textos são teus?

    beijos!

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  2. sim, são meus! :D obrigada, é um grande elogio vindo de voce!

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