domingo, 24 de agosto de 2008

receita de jujuba.

ele a esperava fazia dias, a garota de cabelos coloridos por um rosa gritante. sentado na frente de uma tela piscante, não arrumava os cabelos, não atentava a outra coisa. ele a caçava silenciosamente. e de repente ela aparece.

'oi, finalmente voce apareceu...!' ele disse, tentando não parecer desesperado mas já parecendo... e antes que ela pudesse responder, ele continuou: 'o que voce tem feito, menina? é férias, voce deve estar saindo muito, não?' e ele queria parecer um velho amigo seu, mas nunca tinha sido um bom ator.

'ah, não. sabe, eu gosto de jujubas!' ela respondeu. ele não sabia a que pergunta essa resposta cabia, mas pra ela tudo fazia sentido.


ele riu. riu sozinho, porque a garota era realmente o que ele precisava naquele momento, ela era uma dose de espontaneidade meticulosamente articulada. ela era inteligente, mas sua melhor qualidade era fingir que não era e nunca tinha sido.




...



'lembra de quando a gente se falou pela primeira vez de verdade?' ele perguntou.



'hm, lembro.' ela respondeu sem de fato lembrar, pois todas as suas conversas com ele pareciam estranhamente repetitivas, como eternos dejá-vùs.



'a primeira coisa que voce me disse foi: eu gosto de jujubas.' ele complementou, olhando para as pessoas que estavam ao seu redor e olhavam atentamente para ela.



'sério? que coisa...' ela riu de si mesma. 'acho que é porque eu gosto mesmo de jujubas, sei lá. voce não gosta?' ela levantou a pergunta no ar com a leveza de uma pluma.



as pessoas pareciam não entender o que se passava ali, talvez nem os dois entendessem o que se passava ali. houve um tempo de pausa, as pessoas saíram e eles ficaram a sós.



e enquanto a fitava carinhosamente, sabendo que nunca a teria em mãos, sabendo que seria impossível habitar o mesmo mundo que ela - por falta de oxigênio - aproximou-se dela com dificuldade e respondeu-lhe: 'eu gosto das jujubas rosas.'



'mas não existem jujubas rosas...' ela respondeu contemplando o horizonte da pequena sala enquanto mordia uma de suas unhas com o cuidado de não roê-la.



e ele saiu. e assim ela nunca entendeu, sem se olhar no espelho, ela nunca tinha visto uma jujuba rosa.




diálogos sem pé-nem-cabeça, só com jujubas.

2 comentários:

  1. Nossa, legal a história hem???
    Rsrsrsrsrs
    Adorei
    Eu amoooo jujubas.

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