segunda-feira, 25 de agosto de 2008

lacunas e loucuras.

era primavera mas o dia estava estranhamente cinza, de cima a baixo. não sabia quanto tempo tinha se passado desde a última vez que o vira, mas com certeza fazia muito tempo. e ele agora não tinha mudado muito: estava lá, sentado no meio da sala, com o cabelo tão bagunçado quanto nunca vira, os olhos vermelhos e vitrificados, os movimentos vagarosos e pesados.

parecia uma personificação da loucura. e era. talvez ele não tenha aguentado os intermináveis dias, talvez ele não tenha aguentado a falta de noites, talvez ele não tenha aguentado o peso da vida em seus ombros magros e de ossos saltados. e tudo aquilo a chocava de uma maneira que ela não parava de rir, descontroladamente. e ela sabia porque ria: ela ria de si mesma.

as noites em claro, os dias maníacos, as corridas em círculo, os raciocínios rápidos, as doses de whisky em garrafas de chá, o café puro praticamente injetado em suas veias. tudo indicava que ela não iria suportar mais um dia sequer. e ela ainda lutava, insistia. ela vestia a camisa.

vestia a camisa. mas alguém sabe dizer o que diferencia uma camisa normal de uma camisa-de-força?




ela cuidava dele, mas era porque gostava demais de si mesma: 'poderia ser qualquer um naquela clínica... poderia ser eu.'

sobre alguém que quase surtou.

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