domingo, 31 de agosto de 2008

it's raining men

'é sábado, será que eu devo sair e encontrar um outro voce?' Sexed Up, Robbie Williams.


era realmente sábado de novo, que surreal. em pleno agosto quase setembro Brasília ameaçava chover, e isso era mais surreal que o fato de ser sábado. ela não fazia idéia de como as coisas aconteciam daquela maneira, toda vez que ela expressava o mínimo interesse em alguém que também a queria era desencadeada uma espécie de reação em cadeia: ex-amores, ex-pretendentes, ex-qualquer coisa que atendesse por substantivo masculino. era realmente inexplicável e tão recorrente que não poderia ser mero acaso ou superstição.


e ela já imaginava uma conferência de 'ex-zês', reunidos em assembléia extraordinária para decidir qual deles agora iria tentar invadir seu mundo e virá-lo de pernas pro ar.


'oi?' um rapaz alto e de grandes olhos verdes se vira depressa ao cruzar com ela.


'?' ela olha pra trás e finge não reconhecer. era o mesmo que há um ano ela tinha expulsado com um 'não' e sem olhar pra trás, era o primeiro de seus não-arrependimentos.


'é voce mesma! que coisa!' ele pareceu feliz, ou pelo menos fingia muito bem...


'ahhhhh...' ela fingia reconhecer o rapaz.


'nossa, quanto tempo! que saudade. me dá um abraço aqui...!' e sem perguntar mesmo , ele já ia a fagocitando em um daqueles abraços de velhos amigos. ou mais que isso talvez.


'oi...' ela estava sem graça.


'como vai?' ele perguntou.


'feliz... saltitante. sei lá.' ela respondeu um tanto sem saber mesmo, começava a se lembrar dele enquanto iam para um lugar mais claro. 'e voce?'


'o mesmo de sempre.' ele respondeu parecendo insatisfeito, parecendo ter perdido todas as novidades da vida.


(...) um longo silencio se sucedeu.


'porque a gente parou de se falar?' ela perguntou e estava realmente interessada em saber, ele era bonito, era gentil, não era o mais inteligente... mas era legal.


'não lembro... mas eu nunca esqueci de voce, meu amor. queria saber porqeu nos afastamos, não tenho tido nada desde que voce se foi.' ele respondeu coçando os longos cabelos cor de mel.


'que coisa, é sempre assim!' e ela riu, lembrando porque parara de falar com ele. era piegas demais e ela não tinha nascido pra isso.


***


o outro rapaz já especulava há tempos, achava que era uma garota genial apesar da idade, achava que era diferente. mas que pessoa não era?


'e então?' ele perguntou.


'então o que?' ela respondeu sem saber do que falavam.


'voce... eu...?' ele hesitou um pouco, pareceu rápido pra ela, eterno para ele.


'pronomes pessoais, não? eu-tu -ele-nós-vós-eles!' ela continuava respondendo, consultando sua eterna enciclopédia de ensino médio.


'não é isso... voce sabe do que eu...' e ele se interrompeu, ele sabia que ela realmente não sabia do que estavam falando. 'deixa pra lá...'


(...)


'sabe o que eu gosto em voce?' ele perguntou um tanto retoricamente, com certeza ela não sabia o que ele gostava nela.


'?' ela olhou pra ele daquele jeito que fazia ela parecer mais jovem do que era realmente.


'a sua espontaneidade.' ele respondeu pra si mesmo e pra ela, parecendo sempre encantado com a imprevisibilidade dela, era daquelas que podia decidir a qualquer instante que queria dançar no laboratório ou que queria ser astronauta.


'hm...' ela não pareceu surpresa, já tinha ouvido aquilo muitas vezes. e olhando profundamente nos olhos do rapaz queria que ele pudesse ler seus pensamentos: 'sabe o que eu gosto em voce? a distancia.'


***


'voce não me conhece.' agora ele parecia tomado pelo álcool.


'claro que conheço!' e ela respondia incisivamente.


'não, não conhece.' e ele começava a desviar o olhar.


'conheço, voce quer que eu conte tudo aqui?' e ela ameaçava ele.


(...)


'tá bom, conhece.' e ele agora aceitava.


'voce que não me conhece.' ela estava decidida.


'claro que conheço!' parecia que eles tinham trocado de papel.


'voce nao sabe onde eu nasci!' ela acusou ele.


'sei sim! e conheço voce, voce é muito previsível.' ele agora a ameaçava, mas ela não sentia medo.


(...)


'é, são 4 anos...' e ela olhava pra cima, procurando aquilo qeu ninguém mais via.


'é... um casamento. as vezes tenho até vergonha de ficar perto de voce. é pior do que ficar pelado um na frente do outro.' ele refletia.


e ela pensava que talvez ele tivesse razão: a nudez de alma a incomodava muito mais que a nudez corporal. e ela estava vulnerável a ele.


***


de alguém que está na chuva há muito tempo e não entende porque ainda não se molhou. deve ser porque tem um grande guarda-chuva.

3 comentários:

  1. aha
    entendo mto isso
    eu acho q demora mto pra encontrar um alguém pq é difícil encontrar alguém com palavras e não palavras na medida... de acreditar e querer a integridade dos gestos... lambuzados ou secos. ácidos ou docinhos.
    não sei se faz sentidos...

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  2. Cada dia mais apaixonado por tua escrita, por teus acentos, por tuas letras...pelos espaços dos teus parágrafos.

    Se interessa saber, sou quase um "ex" que ainda não te veio!

    ;D
    beijos, Ju (tão íntimo)
    kkkkk

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