sexta-feira, 22 de agosto de 2008

buuuum!

ela era explosiva demais. rápida demais, jovem demais, selvagem demais. e não tinha mais que 17 anos de idade. a garota tinha um brilho nos olhos e um calor no seu jeito que fazia com que tudo ao seu redor ganhasse vida. ela era uma garota viva demais e queria viver tudo demais, depressa demais. e era o mês de setembro na cidade de brasília: quente demais.

o rapaz a observava desde sempre. ela era estranhamente bela, com feições infantis e olhares que fitavam algo que ele nunca conseguia ver. e parecia tão sábia. mas era inocente demais, pura demais. ela era tudo demais. e ele odiava isso. odiava saber que ela sempre seria demais para ele. e odiava mais ainda o fato de se apaixonar por ela a cada dia.

e passavam tardes juntos falando um com o outro, mas nunca se comunicavam. eles nunca se entendiam, talvez porque ela fosse subjetiva demais. era uma artista das palavras, das cores e via obras de arte nas nuvens. e ele odiava não ver também.

e a queria cada vez mais, e assim ele se afastava cada vez mais. ela o lembrava do quanto ele poderia ser e isso o irritava profundamente. de verdade. e quanto mais tocava o corpo, mas se afastava da alma. mas o que ele nunca soube é que ela nunca teve alma alguma. e ele odiava isso.

e estavam em meio termo, ela não sabia se era com-paixão ou com paixão. e se afastava porque era forte demais, apegada demais. e era assim que ela era: volátil demais. exatamente como o álcool, prestes a entrar em combustão. e talvez por isso ele se sentisse familiar a ela: era um viciado em bebidas alcoólicas.

mas eles eram assim. tão semelhantes que eram diferentes demais. e tudo que os separava agora era o espaço do último beijo.

porque eles explodiram.simples assim.

sobre a sobre-vida de alguém que já morreu numa explosão.

2 comentários:

  1. quem sabe \o/ eu gosto de ouvir historias e recontá-las , reescrevê-las ... a minha vida é assim, cheia de historia...

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